quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Picaretagem explícita


Hoje eu amanheci com uma vontade enorme de procurar o diploma de jornalista, que deve estar no meio de uma montanha de papéis em algum lugar aqui de casa, rasgá-lo, tirar o nome “jornalista” que fica aí embaixo do meu nome e pedir que esqueçam que exerci essa profissão algum dia. Só não pedirei que esqueçam o que escrevi, como fez o outro.

Não tem a ver com os olhos cheios de lágrimas de Micarla, quando ela falou de Carlos Alberto, ontem no programa eleitoral e ela dizendo que é jornalista, se orgulha se ser jornalista, que pegou na mão de uma criancinha pobre e coisa e tal. Não. Isso aí é outra coisa. É com nojo da picaretagem que inunda essa profissão e que fica mais evidente numa campanha eleitoral, quando estão em jogo os empregos e as promessas de benesses no governo que o vencedor irá formar. Numa campanha a turma do vale tudo jornalístico perde de vez a compostura.

Abro os jornais de manhã, preparado psicologicamente para não me surpreender ou me escandalizar, mas confesso que não consigo. É demais para o meu estômago! Nada de ideologia, militância política ou partidária, afinidade, simpatia, gratidão, encanto com as propostas ou idéias do candidato... Nada disso conta para os nossos intrépidos jornalistas (aqui incluídos os semi-analfabetos que se passam por jornalistas).

Gostaria de saber de Gustavo C, de Fernando M, de Daniel D e outros amigos que moram em outros estados se o jornalismo político nos estados onde eles moram está tão degradado como aqui nessa fértil terra para picaretas e afins.

Difícil, mas muito difícil mesmo citar um jornalista com alguma independência e honestidade por aqui. As exceções, para não generalizar e ofender os raros e bons, são raríssimas e contam-se nos dedos das mãos.

Tácito Costa
Data: 25/09/2008 - Horário: 09h09min

Nenhum comentário: