terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mais de 13 milhões de brasileiros subiram de faixa social na década


Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada ontem indica que 13,8 milhões de brasileiros subiram de faixa social entre 2001 e 2007. Os dados foram definidos a partir dos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007, divulgada na semana passada.

Do total, 74%, ou 10,2 milhões, saíram da classe de renda baixa (até R$ 545,66 de renda familiar), e 3,6 milhões de pessoas passaram da classe intermediária (de R$ 545,66 a R$ 1.350,82) para a classe de renda mais alta (renda familiar superior a R$ 1.350.82).

Para o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE), os resultados revelam que o governo do presidente Lula tem cumprido sua proposta. "Tanto a aprovação do governo Lula quanto esse novo estudo do Ipea mostram que o governo do PT tem cumprido a sua proposta de implantar um outro modelo de desenvolvimento, que gere inclusão social, além de combate a desigualdade e a pobreza. Os índices de aceitação do governo Lula mostram que o povo brasileiro cresceu também na sua consciência política, ao manifestar aprovação ao programa progressista de esquerda de redução das desigualdades", destacou Maurício Rands.

Para o deputado José Genoíno (PT-SP), os resultados da pesquisa são o maior indicador de como o governo Lula adotou políticas de distribuição de renda. "Essa pesquisa é prova de que houve decisão do governo de incentivar e tomar medidas para tornar efetiva a distribuição de renda. Considerando que o Brasil está construindo um projeto nacional e popular, é fundamental prosseguir com essa opção política", afirmou.

Resultados - Segundo o Ipea, o crescimento da economia e os programas de transferência de renda fomentaram a ascensão das pessoas das classes mais baixas. De acordo com o Pesquisador do Ipea, Ricardo Amorim "o que mais chamou a atenção foi a movimentação de pessoas do nível mais baixo para estratos mais elevados. A movimentação deles superou o crescimento da economia e passou a ter mobilidade social ascendente que não se via desde os anos 80", afirmou.

O pesquisador do Ipea considera que a população emergente que estava na classe mais baixa tem baixa escolaridade - 57,1% têm até a 4ª série do ensino fundamental e 1% têm nível superior - e está concentrada nas regiões Nordeste e Sudeste. Moram em centros urbanos 82% dessa população, sendo que 62,5% dos emergentes da classe mais baixa para a intermediária são considerados não brancos (pretos, pardos, indígenas e amarelos).

Já entre os emergentes da classe intermediária, a escolaridade foi um pouco superior - 39% têm até a 4ª série do ensino fundamental e 4% têm nível superior. Quase a totalidade - 90% - dos brasileiros que passaram para a classe considerada mais alta moram em centros urbanos, e 56% dessa população é branca. "Para o bloco mais alto, a qualidade é melhor. O crescimento econômico do mercado de trabalho os alcançou e eles estão conseguindo se inserir de maneira produtiva e duradoura. Ou seja, se esse crescimento econômico for mantido, esse pessoal não volta mais para a situação anterior", observou.

A classe mais baixa passou a representar 27,4% da população, ou 49,7 milhões de brasileiros. No chamado grupo intermediário, estão 66,5 milhões, e a chamada classe de renda mais alta soma 64,9 milhões de pessoas. No Nordeste, as pessoas com renda familiar de até R$ 545,66 representam 49,2% da população. Em 2001, significavam 57,3% dos habitantes.

No Sul e no Sudeste, a parcela com renda mais baixa representava 21,4% da população em 2001. Seis anos depois, significavam 15% no Sul e 16,9% no Sudeste. Ainda no Sudeste, a população com renda familiar superior a R$ 1.350,82 era correspondente a 43,8% do total em 2001, e pelos dados atuais, já chegam a 45,5%. Já no Nordeste, os que estão enquadrados na classe mais alta representam 16,7% do total. Em 2001, respondiam por 14,5%.

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